O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva organiza a celebração do 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com formato mais discreto e sóbrio para evitar complicações com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida ocorre devido ao período de defeso eleitoral, que antecede as eleições de outubro.
Diferente dos três anos anteriores, o desfile cívico-militar não terá um slogan específico. A gestão federal planeja a cerimônia em três eixos temáticos: a soberania nacional, o combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina, que será sediada no Brasil no próximo ano.
A cautela na organização visa evitar a repetição de episódios que levaram à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Justiça Eleitoral, Bolsonaro usou os festejos de 2022 para fazer apelos à militância e convocar eleitores por meio de discursos em carros de som. Neste ano, Lula deve apenas assistir ao evento da arquibancada.
Além das vedações jurídicas, limitações orçamentárias contribuem para a redução do evento. O desfile contará com a exibição de equipamentos da Marinha, Exército e Força Aérea, além de três blocos compostos por representantes da sociedade civil.
A pauta da soberania nacional é vista pela campanha de reeleição do presidente como forma de conectar temas internos e externos, especialmente diante de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. Aliados do governo acreditam que o tema favorece o contraste com adversários políticos.
O combate à violência contra a mulher também é prioridade, com influência da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. O Executivo intensificou ações voltadas ao público feminino nos últimos meses para atrair um setor considerado decisivo para o pleito eleitoral.

