A prática de greenwashing, que consiste em apresentar produtos ou iniciativas como mais sustentáveis do que realmente são, pode distorcer a precificação de ativos e reduzir o valor econômico das companhias, afirmou Ricardo Assumpção, sócio-líder de Sustentabilidade da EY Brasil. O problema afeta decisões de alocação de capital, indo além da comunicação corporativa.
Assumpção declarou que o risco surge quando investidores e instituições financeiras direcionam recursos com base em compromissos ambientais sem respaldo em ações concretas. Essa situação cria uma assimetria na informação, levando bancos e investidores a alocar capital em promessas, e não em projetos bem executados.
O mercado já mede os efeitos econômicos dessa distorção, conceito chamado de “mispricing”, quando um ativo é avaliado pelo que promete e não pelo que entrega. O executivo alertou que isso pode desviar recursos de investimentos em resiliência e novas tecnologias.
Embora 88% dos investidores usem mais informações hoje do que há cinco anos, eles ainda veem risco no greenwashing. Segundo Assumpção, a questão não é a quantidade de dados, mas a qualidade e a confiança nas informações divulgadas. Empresas precisam conectar compromissos ambientais a métricas que demonstrem impacto no balanço e na estratégia comercial.
A agenda ESG deve se tornar mais pragmática, com investidores exigindo conexão entre sustentabilidade e geração de valor. Um estudo citado por Assumpção apontou forte correlação entre desempenho ESG e financeiro em grandes empresas. Setores como agronegócio e infraestrutura sentem o impacto direto das mudanças climáticas, exigindo adaptação e viabilidade econômica nos planos.


