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Guerra no Oriente Médio completa seis meses com impactos globais

Carla Fernandes
Última atualização: 29 de agosto de 2026 00:00
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A guerra no Oriente Médio completou seis meses nesta sexta-feira (28), provocando instabilidade nos mercados de energia, alimentos e investimentos globais. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, restringiu a passagem de produtos pelo Estreito de Ormuz e elevou a inflação em diversas regiões.

O petróleo Brent ultrapassou US$ 120 por barril em abril, impulsionado pela queda na produção dos países do Golfo e restrições em rotas comerciais. O diesel e o querosene de aviação também sofreram pressão nos preços, agravada por ataques ucranianos a refinarias russas. A oferta de combustíveis foi parcialmente aliviada pelo aumento das exportações de refinarias dos Estados Unidos.

Apesar da crise energética, as bolsas globais avançaram. O índice mundial de ações da MSCI, que abrange 47 países, atingiu recorde de US$ 105 trilhões neste mês, alta de 9% desde o início da guerra. O resultado foi sustentado por investimentos em empresas de inteligência artificial, que compensaram perdas em outros setores e mercados do Golfo.

Ativos tradicionalmente seguros apresentaram comportamento irregular. O dólar subiu 1,4% frente às principais moedas, enquanto títulos do governo americano perderam 3,5% devido à inflação e expectativas de juros. O ouro oscilou, caindo quase 25% até julho e subindo mais de 15% apenas em agosto.

A produção de alimentos foi afetada pela redução no comércio de fertilizantes via Estreito de Ormuz, somada aos efeitos do El Niño e à guerra na Ucrânia. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), os preços globais de alimentação atingiram em julho o maior nível em mais de três anos. O JPMorgan estima que o El Niño possa somar 0,7 ponto percentual à inflação global de alimentos.

Os países do Golfo registraram as maiores perdas econômicas. As exportações da Arábia Saudita recuaram 10% entre o primeiro e o segundo trimestre. No Catar, a Oxford Economics estima que a economia encolha quase 30% este ano por danos ao complexo de gás de Ras Laffan. Em Dubai, as vendas de imóveis caíram entre 70% e 80%, conforme dados do JPMorgan.

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