O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o deputado federal Patrus Ananias, candidatos aos governos de São Paulo e Minas Gerais, receberam os maiores repasses financeiros da direção nacional do PT. Os valores, declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), somam R$ 8 milhões para Haddad e R$ 5,3 milhões para Patrus.
A distribuição reflete a estratégia da sigla de priorizar o Sudeste, onde a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro é mais acirrada. No Nordeste, governadores que buscam a reeleição receberam quantias menores: Jeronimo Rodrigues, da Bahia, obteve R$ 1,7 milhão, Elmano de Freitas, do Ceará, R$ 1,1 milhão e Rafael Fonteles, do Piauí, R$ 771 mil.
O PT detém R$ 615 milhões do fundo eleitoral, a segunda maior fatia entre os partidos. A legenda planeja destinar 20,64% dessa verba para a reeleição de Lula e 11,70% para candidaturas a governos estaduais. Outros 43,06% serão destinados a candidatos à Câmara e 10,08% para disputas ao Senado.
Pesquisas da Quaest mostram Haddad com 27% contra 40% de Tarcísio de Freitas em São Paulo. Em Minas Gerais, Patrus Ananias registra 11%, enquanto o senador Cleitinho Azevedo lidera com 35%.
A divisão de recursos provocou conflitos internos. Em Minas Gerais, 25 candidatos a deputado, incluindo o presidente do PT em Belo Horizonte, Guima Jardim, contestam a falta de verbas e defendem um piso mínimo de R$ 80 mil por candidatura.
Durante evento do partido no último sábado, militantes manifestaram a insatisfação em cartazes. O texto afirmava que mulheres da base do PT-MG não aceitam ser tratadas como laranjas.

