A inteligência artificial deve ser ferramenta de partidos e candidatos nas eleições de 2026, permitindo análise de dados e produção de materiais de campanha. Contudo, especialistas alertam para os riscos de conteúdos falsos, o que levou o Tribunal Superior Eleitoral a estabelecer regras específicas.
A tecnologia permite que políticos analisem grandes volumes de dados de redes sociais e interações com eleitores. Segundo o pesquisador de inteligência artificial Diogo Cortiz, a IA possibilita reunir e analisar milhares de conteúdos em poucos segundos, auxiliando a formulação de propostas mais alinhadas às demandas da população. Cortiz avalia que a IA terá papel definidor na disputa eleitoral deste ano.
Além da análise, a tecnologia reduz custos de produção. O professor Flávio Ferrari, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), afirma que plataformas gratuitas criam peças de campanha em trinta segundos. Ele considera a ferramenta poderosa, mas exige responsabilidade do seu uso.
O uso inadequado gera desinformação por meio de “deepfakes”, materiais sintéticos que manipulam imagens, vídeos ou áudios para simular fatos inexistentes. Anderson Rocha, coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, orienta que a primeira atitude deve ser desconfiar e buscar agências de checagem de fatos.
Pesquisas mostram que 71,6% dos brasileiros acreditam que a IA pode manipular eleitores, mas apenas 45,3% afirmam conseguir identificar conteúdos produzidos artificialmente, admitindo dificuldade na distinção entre o real e o sintético.


