O mercado reagiu negativamente aos resultados do segundo trimestre de 2026 do Banco do Brasil, com queda superior a quatro por cento nas ações na última quinta-feira. A inadimplência de cartões de crédito, especificamente acima de noventa dias, praticamente dobrou em três meses, gerando atenção do mercado.
A administração do banco explicou a forte deterioração dos indicadores por dois motivos. Um fator foi a contaminação da carteira por clientes do agronegócio, que apresentaram piora nos pagamentos. O outro motivo foi a descontinuidade de uma funcionalidade de parcelamento automático para clientes de menor renda, que exigia pagamento inicial.
Um analista do JPMorgan apontou que a inadimplência acima de noventa dias no sistema financeiro brasileiro teria melhorado no segundo trimestre se o Banco do Brasil fosse excluído da amostra. Enquanto o índice do BB subiu de sete, um por cento para quatorze, seis por cento, a taxa do restante do sistema caiu de nove, três por cento para nove, um por cento.
O banco também mencionou a Medida Provisória 1.376, que trata da renegociação de dívidas rurais. Segundo o BB, cerca de cem bilhões de reais da carteira rural poderiam se enquadrar nas novas regras, com expectativa de renegociações em torno de trinta bilhões de reais.
Apesar de manter as projeções para dois mil e vinte e seis, o Banco do Brasil adotou tom cauteloso. O Goldman Sachs reduziu suas estimativas de lucro recorrente em nove por cento para dois mil e vinte e seis e em oito por cento para dois mil e vinte e sete, citando perspectivas fracas para a margem financeira.


