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Incêndios atingem mais de 117 mil hectares em Goiás

Carla Fernandes
Última atualização: 27 de agosto de 2026 02:20
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

Incêndios em Goiás consumiram 117.712 hectares de vegetação em 2026, segundo levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O número representa um aumento de 13,9% em comparação aos 103.334 hectares atingidos no mesmo período de 2025, com forte impacto em parques estaduais e nacionais.

No Nordeste goiano, as chamas atingiram 14,1 mil hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Geral de Goiás, área que corresponde a 20,2% da reserva. Desse total, 11,3 mil hectares ficam no Parque Estadual de Terra Ronca e 2,8 mil na Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca. O fogo foi controlado após oito dias de combate.

Outras ocorrências registraram a queima de 1,2 mil hectares na região da Chapada dos Veadeiros, com focos controlados pelo Corpo de Bombeiros na última terça-feira (25). O fogo afetou o Morro da Baleia e o município de Colinas do Sul, onde atingiu o lixão municipal. A secretária de Meio Ambiente, Dayane Moreira, informou que a prefeitura pretende encerrar o uso do terreno como depósito de lixo em até dez dias.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) relatou ainda a destruição de 1,4 mil hectares próximos ao Parque Estadual da Serra Dourada, na cidade de Goiás. Somente nessas três ocorrências, foram consumidos 16,7 mil hectares de vegetação.

O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, explicou que a baixa umidade, ventos fortes e altas temperaturas favorecem a propagação do fogo. Até 16 de agosto, as regiões Norte e Oeste do estado acumularam 67 dias consecutivos sem chuva, enquanto a região Leste registrou 66 dias e as regiões Central e Sul, 64 dias.

Em agosto de 2026, o município de São Domingos teve o maior número de focos, com 50 registros, seguido por Flores de Goiás (27) e Vila Propício (18). Niquelândia, Vila Boa e Mineiros também figuram entre as cidades mais afetadas. Órgãos de monitoramento afirmam que grande parte das queimadas é provocada por ação humana.

A bióloga e coordenadora do movimento ODS Goiás, Raquel, afirmou que os incêndios causam a morte de animais e a perda de matéria orgânica do solo, tornando-o vulnerável à erosão. A especialista alertou que a repetição de queimadas intensas pode retirar a capacidade de recuperação de espécies adaptadas ao fogo e favorecer a invasão de gramíneas.

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