Jornalistas indígenas lançaram o manual Poranga Marandúa na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 10 de agosto. A publicação oferece termos e princípios elaborados a partir da visão dos povos originários, buscando orientar a comunicação nacional.
A obra resulta de um trabalho desenvolvido em articulação entre mais de 40 povos indígenas, segundo a coordenadora geral da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), Luciene Kaxinawá. O manual reafirma o compromisso com uma comunicação construída a partir dos territórios, das línguas e dos modos de contar histórias desses povos.
A primeira edição do Poranga Marandúa foi editada e revisada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e está disponível gratuitamente online. A comunicadora do Inka, Sônia Kaingáng, afirmou que a ferramenta deve servir como instrumento de trabalho para jornalistas em todo o país e como recurso de educação.
A publicação também é vista como um recurso pedagógico. A pesquisadora Andreza Baré comentou que o material pode ser útil nos currículos de jornalismo, servindo como ferramenta de redação antirracista. Samela Sateré Mawé, assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), avaliou que o manual pode estimular a presença indígena nos espaços de comunicação.


