Um lago formado por escombros de enxurradas que devastaram o Nepal e o Tibete começou a transbordar nesta sexta-feira (28). O acúmulo de milhões de metros cúbicos de água coloca autoridades em alerta para o risco de novas inundações ou avalanches de lama na região onde a catástrofe já deixou ao menos 490 mortos no lado nepalês.
O risco levou à interrupção de parte das operações de busca e resgate. Equipes de emergência que avançavam para as áreas mais atingidas receberam ordem para recuar e permanecer em locais seguros, segundo a emissora estatal chinesa CCTV. No Nepal, a polícia orientou moradores das zonas ameaçadas a procurarem abrigo imediatamente.
O reservatório surgiu após lama, pedras e detritos bloquearem um curso d’água na quarta-feira. A barreira natural criou o lago próximo à passagem de Gyirong, principal ligação terrestre entre o Nepal e o Tibete. Imagens aéreas mostraram que a água começou a transbordar nesta sexta-feira, elevando a chance de uma descarga repentina para as áreas baixas.
A área represada está a cerca de 2.950 metros de altitude, quase mil metros acima de Gyirong. Especialistas alertam que um rompimento brusco da barreira pode dar grande velocidade à água, desencadeando novos deslizamentos. A pressão sobre a estrutura deve aumentar nos próximos dias devido à previsão de continuidade das chuvas.
As investigações indicam que a tragédia original começou com o colapso de uma massa de gelo e rochas em geleiras do Himalaia. O material despencou de milhares de metros e avançou pelos vales, destruindo pontes, estradas e redes de comunicação. No lado tibetano, autoridades chinesas informaram três mortes e 558 desaparecidos, sendo 260 estrangeiros.
Militares nepaleses tentam resgatar cerca de 100 pessoas presas em um túnel de projeto hidrelétrico atingido pela inundação. A operação utiliza helicópteros, mas a quantidade de lama e a dificuldade de localizar as entradas do túnel complicam o trabalho de salvamento.

