As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam visões distintas sobre a gestão das contas públicas para 2027. Enquanto o grupo do atual presidente sinaliza a manutenção do arcabouço fiscal, a equipe do senador discute a substituição da regra e a priorização de cortes na estrutura do Estado.
A equipe econômica de Lula tende a preservar o atual arcabouço fiscal, admitindo eventuais ajustes de parâmetros ou aperfeiçoamentos. O presidente afirmou não estar preocupado com a dívida pública e defendeu que a expansão da economia é o caminho principal para a melhoria das contas, evitando antecipar cortes em gastos obrigatórios.
No campo de Flávio Bolsonaro, integrantes da campanha defendem que qualquer ajuste em Previdência, salário mínimo ou benefícios sociais seja precedido por cortes nas despesas da máquina pública. A estratégia foca na revisão de estruturas administrativas e no combate aos supersalários, medida descrita como necessária para dar o exemplo antes de atingir a base social.
Sobre a regra fiscal, o entorno do senador discute a criação de um novo mecanismo atrelado à trajetória da dívida pública. A proposta contrasta com a tendência de manutenção do modelo vigente defendida pelo governo federal.
O economista Tiago Sbardelotto, da XP, calcula que, se as despesas crescerem no limite de 2,5% ao ano, o ajuste necessário para cumprir as metas de resultado primário teria de vir exclusivamente da receita. Isso exigiria um aumento da arrecadação líquida entre 1 e 1,5 ponto percentual do PIB, ou um crescimento da carga tributária bruta de perto de 2 pontos percentuais do PIB.
Sbardelotto avalia que cortes em supersalários possuem impacto financeiro limitado diante do desequilíbrio fiscal. Para um ajuste estrutural, o economista menciona a necessidade de enfrentar gastos obrigatórios, como uma nova reforma da Previdência e a desvinculação de gastos ao salário mínimo.
As travas atuais de contenção de despesas são consideradas insuficientes para estabilizar a dívida, com economias estimadas entre 10 e 20 bilhões de reais, volume aquém do necessário para a estabilização das contas.


