O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, na noite desta segunda-feira (31), um grupo de 15 empresários para um jantar no Palácio da Alvorada. O encontro, organizado pelo coordenador de campanha Edinho Silva e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, visa demonstrar diálogo com representantes do setor produtivo em meio à tentativa de reeleição do petista.
Entre os convidados estão os irmãos Joesley e Wesley Batista, da holding J&F; José Seripieri Júnior, da Amil; Fabio Moraes, da Votorantim; Richard Gerdau, da Gerdau; e Rubens Ometto, da Cosan. Também participam Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco, André Esteves, do BTG, Rubens Menin, da MRV, Eraí Maggi, do Grupo Bom Futuro, e José Luís Cutrale, da Cutrale. O vice-presidente Geraldo Alckmin também comparece ao evento.
A equipe de campanha considerou realizar a reunião em outro local para evitar possíveis representações eleitorais por uso de prédio público, mas optou pela residência oficial. Aliados negam que o jantar seja uma resposta ao encontro de Flávio Bolsonaro com nomes da Faria Lima ocorrido na última quinta-feira, em São Paulo, afirmando que a agenda já estava marcada.
Luiz Carlos Trabuco é um dos nomes que participou da reunião com o candidato do PL e agora integra o jantar com Lula. O presidente do conselho do Bradesco faz parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República. No entanto, a apuração indica que Lula sinalizou a pessoas próximas que adotará um relacionamento mais protocolar e distante com banqueiros que se reuniram com Flávio Bolsonaro.
O encontro ocorre enquanto o governo tenta conter críticas de economistas e empresários sobre a política econômica. A preocupação central é o cenário fiscal e a trajetória da dívida pública, que atingiu 82% do PIB no atual governo, representando um aumento de 10 pontos percentuais ao longo do mandato.
Dario Durigan, interlocutor econômico da campanha, tem se reunido com o mercado financeiro para reforçar a intenção de maior contenção fiscal em caso de vitória. Embora Durigan rebata a tese de colapso fiscal, ele admite a necessidade de controlar o crescimento das despesas obrigatórias. Por orientação de Lula, a campanha evita compromissos com detalhes de propostas para não gerar impactos políticos ou limitar opções de ajuste.

