O grupo responsável pelas Lojas Marabraz protocolou pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, no sábado (15). A empresa busca reorganizar um passivo de R$ 140,188 milhões. A dificuldade financeira agravou-se pela perda de uma estrutura de garantias que sustentava o acesso ao crédito bancário.
A documentação apresentada à Justiça indica que parte do acesso ao crédito dependia de uma estrutura patrimonial ligada à família controladora. Ativos, como imóveis comerciais e centros de distribuição, estavam em uma holding e funcionavam como reforço em operações financeiras por décadas. A petição aponta que a mudança nessa estrutura, decorrente de disputas familiares e societárias, alterou a avaliação dos credores.
Com a ruptura dessa organização, as instituições financeiras passaram a reduzir limites, exigir novas garantias e aumentar custos. Em alguns casos, bancos deixaram de renovar linhas de crédito essenciais para o capital de giro da operação. Os ativos usados como respaldo não estavam registrados nas empresas operacionais, mas sim na estrutura patrimonial controladora.
A Marabraz alega que o problema é de liquidez e não de atividade comercial das lojas. O capital de giro, usado para despesas diárias como pagamento de fornecedores e funcionários, foi afetado pela redução de recursos. O pedido abrange cinco empresas ligadas ao grupo, que somam o passivo de R$ 140,188 milhões, e menciona mais de mil reclamações trabalhistas.
Entre os pedidos feitos ao Judiciário, a empresa solicita proteção para serviços básicos como energia e telefonia, além de medidas para suspender cobranças judiciais durante o período da recuperação. A companhia afirmou que as lojas permanecerão abertas e que a preservação dos empregos é prioridade.


