A inflação de serviços deve continuar sob pressão devido ao mercado de trabalho aquecido e à baixa capacidade ociosa da economia, segundo César Bergo, economista da Universidade de Brasília (UnB). Essa dinâmica restringe o espaço para uma redução acelerada da taxa Selic, mesmo com sinais positivos em outros indicadores do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Bergo afirmou que a resistência desse componente inflacionário permanece sob observação do Banco Central. Ele explicou que o mercado de trabalho aquecido gera pressão econômica e pouca capacidade ociosa. Além disso, os núcleos de inflação mantêm-se fortes, reforçando a necessidade de cautela na política monetária.
O cenário fiscal também influencia as expectativas de juros. Dados sobre o endividamento público elevam a percepção de risco, o que pode exigir a manutenção de taxas elevadas por mais tempo, conforme declarou o economista. Isso explica a expectativa de um ciclo cauteloso de flexibilização monetária.
Em relação aos preços, os alimentos apresentaram contribuição favorável no IPCA recente, mas a habitação e o transporte aéreo registraram aumentos. Apesar da queda nos combustíveis, tensões geopolíticas e a volatilidade do câmbio continuam como riscos. Bergo avalia que, embora haja sinais de equilíbrio, a inflação dificilmente ficará abaixo de 5% no curto prazo.

