A tendência de corpos muito finos, que remete à moda dos anos noventa e dois mil, retorna às passarelas e redes sociais. Esse movimento se combina com a popularização de canetas emagrecedoras, reacendendo alertas sobre os riscos à saúde.
Em desfiles de outono e inverno de dois mil vinte e seis, 97,6% dos modelos nos Estados Unidos usaram roupas nos tamanhos 0 a 4, equivalentes aos tamanhos 34 a 38 no Brasil, segundo levantamento da Vogue Business que analisou sete mil e oitocentos looks. Especialistas apontam que a busca por esse padrão estético, resgatando a estética “heroin chic”, não é sinônimo de saúde.
A nutricionista Eduarda Medeiros afirmou que o sobrepeso e a magreza extrema representam duas faces do mesmo problema. Ela declarou que a obesidade causa comorbidades como diabetes e hipertensão, enquanto a magreza extrema pode provocar desnutrição, sarcopenia e anorexia.
O endocrinologista José Marcelo Natividade alerta para a influência de figuras públicas. Ele explicou que pessoas se espelham em celebridades com biotipos diferentes, buscando reproduzir um padrão sem critérios. O médico ressaltou que o uso de medicamentos para emagrecer deve ocorrer com acompanhamento médico, pois ultrapassar os limites do organismo compromete nutrientes e funções essenciais.
A nutricionista Krysna Büttner citou efeitos negativos do emagrecimento excessivo, como perda de massa muscular, queda de cabelo e alterações hormonais. Ela enfatizou que o tratamento nutricional deve visar a qualidade de vida e a preservação muscular, e não apenas a redução do número na balança.

