O Ministério Público Eleitoral de São Paulo decidiu extinguir o procedimento que apurava suposto desvio de conduta de viaturas policiais contra o automóvel da equipe de Fernando Haddad (PT). A decisão livra o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) de sanções eleitorais, embora o órgão considere improvável que a ação tenha sido casual.
No parecer, o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt afirmou ser inverossímil a tese de mera coincidência no patrulhamento ordinário. O documento aponta que duas equipes de Força Tática realizaram contatos e aproximações atípicas com o Ford Fusion utilizado pela equipe de Haddad em um intervalo de 44 minutos e em perímetro restrito.
Taubemblatt escreveu que o caráter excepcional do engajamento tático fragiliza a justificativa de regularidade administrativa apresentada pela Polícia Militar, já que as guarnições envolvidas não realizam radiopatrulha comum de 190.
Em pronunciamento nesta segunda-feira (31), Haddad rebateu a versão das autoridades estaduais de que não houve abordagem ao seu condutor, Alessandro Caseri. O candidato apresentou um levantamento técnico para o inquérito no 96º Distrito Policial, alegando que perícias mostram uma viatura estacionada por 20 minutos em frente ao hotel onde o motorista aguardava, na Vila Mariana, Zona Sul da capital.
O advogado Thiago Rocha detalhou que os incidentes começaram quando o ex-ministro chegava em casa. Posteriormente, o condutor teria sido emparelhado por uma patrulha na Avenida 23 de Maio e, perto do Hotel Pullman, três agentes teriam ordenado que ele abandonasse o local imediatamente.
Haddad relatou ainda a interrupção do diálogo com a cúpula da Segurança Pública após questionar a precisão dos ângulos dos vídeos divulgados pelo delegado Osvaldo Nico. A Secretaria de Segurança Pública informou que prepara uma resposta formal sobre o parecer do Ministério Público.

