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Parque Nacional da Tijuca abriga rituais de diversas crenças

Carla Fernandes
Última atualização: 30 de agosto de 2026 05:20
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, consolidou-se como um espaço de conexão espiritual para grupos de diferentes religiões. De peregrinações evangélicas no Monte Cardoso Fontes a rituais de matriz africana e druidismo em cachoeiras, a mata é utilizada como templo por fiéis que buscam o sagrado fora das instituições tradicionais.

No Monte Cardoso Fontes, localizado na Zona Sudoeste, grupos de evangélicos realizam subidas semanais para orações. Entre os frequentadores estão pessoas que utilizam roupas sociais e véus, ignorando o traje esportivo comum em trilhas. Para alguns, a ascensão é vista como uma “guerra espiritual” contra a violência urbana, enquanto outros descrevem a experiência como um batismo no espírito.

A diversidade de usos inclui a queima de pedidos em papéis no topo do monte e a busca por locais batizados pelos fiéis como “Jardim Secreto” e “Garganta do Céu”. Essas práticas, no entanto, geram preocupação ambiental. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) alerta que a fumaça e as cinzas deixam resíduos na mata, além de o uso do fogo elevar o risco de incêndios na unidade de conservação.

Em outras áreas, como a “Curva do S”, no Alto da Boa Vista, a floresta serve como terreiro. Praticantes de Umbanda e Candomblé utilizam as quedas d’água para lavar guias e realizar oferendas. Algumas lideranças religiosas, como mães de santo, adotam a prática de recolher todo o material utilizado nos rituais para evitar a poluição do ambiente, que classificam como casa sagrada.

O cenário foi mapeado por Ricardo Malta, autor de tese sobre os usos religiosos do parque. A apuração indica que há uma sobreposição de espaços, onde áreas frequentadas por religiões de matriz africana também são procuradas por budistas, xamanistas e druidas. O pesquisador afirma que os diferentes grupos utilizam os signos da floresta para chegar ao divino, embora falem “idiomas diferentes”.

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