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Partos em mulheres com 40 anos ou mais crescem no Brasil

Carla Fernandes
Última atualização: 28 de agosto de 2026 21:45
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

O número de partos entre mulheres com 40 anos ou mais no Brasil saltou de 57.983, em 2003, para 106.263, em 2022, segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento de 83% coloca essa faixa etária como a de maior crescimento nos nascimentos no período.

O cenário de adiamento da maternidade ocorre enquanto outras faixas etárias apresentam recuo nos nascimentos. Fatores como maior tempo de formação profissional, carreira, condições financeiras e planejamento reprodutivo contribuem para a tendência. Técnicas de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos, também são utilizadas, embora não eliminem os efeitos do avanço da idade sobre a gestação.

Um estudo publicado na revista Climacteric, realizado por instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Faculdade de Medicina do ABC, indica que a idade média de entrada na menopausa entre brasileiras é de 48 anos. A irregularidade menstrual começa, em média, aos 46 anos. Isso significa que mulheres que engravidam nessa fase podem vivenciar a gestação simultaneamente à transição menopausal.

A médica Fabiane Berta afirma que gestações nessa idade exigem abordagem que considere aspectos metabólicos e cardiovasculares. De acordo com o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), o risco de pré-eclâmpsia é 32% maior em mulheres de 40 a 44 anos em comparação com as de 35 a 39, e dobra a partir dos 45 anos. Há também maior incidência de diabetes gestacional, parto prematuro e cesarianas.

Complicações durante a gravidez podem impactar a saúde futura. Documento da American Heart Association, na revista Circulation, relaciona a hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia a um risco maior de doenças cardiovasculares posteriores. O risco é acentuado quando a gravidez ocorre próxima aos 50 anos, período em que a vulnerabilidade cardiovascular feminina tende a aumentar.

No âmbito profissional, a pesquisa da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que 48% das trabalhadoras estavam fora do emprego 12 meses após a licença-maternidade. O percentual se manteve semelhante nos dois anos seguintes, evidenciando os desafios da conciliação entre carreira e maternidade tardia.

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