A Polícia Federal investiga uma tentativa de viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A negociação envolvia documentos para contratação sem licitação e o pagamento de R$ 1,5 milhão a uma empresária intermediária. A proposta não foi concretizada.
Os materiais apreendidos pela PF incluíram termos de referência sobre a compra dos medicamentos e mensagens trocadas por uma empresária com o então chefe de gabinete do presidente. Um dos documentos mencionava a possibilidade de dispensa de licitação e apontava para uma empresa ligada a um indivíduo conhecido por fraudes em aposentadorias.
O Ministério da Saúde informou que nunca houve possibilidade de contratação do canabidiol, pois o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde. A pasta declarou que não houve discussão sobre a oferta do medicamento na rede pública na gestão atual.
A empresária recebeu R$ 1,5 milhão de um indivíduo para trabalhar na viabilização do contrato junto ao Ministério da Saúde. Em mensagens analisadas, ela teria alegado falar em nome de filho do presidente durante as tratativas. O ex-chefe de gabinete confirmou receber o documento, mas negou ter encaminhado o material ao governo.
A Procuradoria-Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal o envio de um dos inquéritos envolvendo o filho do presidente à primeira instância. A PGR argumenta que nenhum dos investigados nesse caso possui foro por prerrogativa de função, o que caberá ao ministro André Mendonça decidir.

