Uma possível retaliação brasileira às tarifas americanas pode iniciar uma nova rodada de medidas comerciais contra produtos do Brasil. Segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais e pesquisador de Harvard, qualquer contramedida dependerá de consultas aos setores envolvidos.
Brustolin afirmou que o acionamento da Lei de Reciprocidade é apenas uma primeira fase. Ele alertou que, se houver retaliação, isso só deve ocorrer no próximo ano. O professor sugeriu que o Brasil avalie os riscos de uma escalada comercial antes de aplicar tarifas em resposta aos Estados Unidos.
Ele citou exemplos internacionais, dizendo que o país poderia enfrentar novas barreiras se seguir o mesmo caminho adotado por outras nações. O setor produtivo brasileiro, segundo o especialista, prefere uma saída negociada, e entidades da indústria manifestaram oposição à reciprocidade.
O professor também apontou que o Brasil mantém níveis de proteção comercial superiores aos dos Estados Unidos. Dados da Organização Mundial do Comércio mostram que a tarifa de nação mais favorecida brasileira é de 12%, contra 3,4% nos EUA. A redução tarifária, ele explicou, forçaria ganhos de eficiência na indústria nacional.
Brustolin complementou que tarifas de importação impactam também os consumidores, que acabam pagando o aumento de custos. Ele concluiu que uma abertura negociada poderia beneficiar o consumidor brasileiro, forçando maior competitividade.

