A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e 34 federações do sistema lançaram, neste sábado (29), uma campanha nacional para que o Senado adie a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e altera a jornada de trabalho no país.
A mobilização utiliza o argumento de que mudanças constitucionais dessa dimensão não devem ser decididas durante o período eleitoral e em um cenário de fragilidade econômica. Segundo a CNC, o setor terciário enfrenta juros elevados, crédito restrito, alto endividamento das famílias, inadimplência de empresas e redução de investimentos.
As entidades citam a concorrência com produtos importados, ampliada pelo fim da chamada Taxa das Blusinhas, como outro fator de pressão sobre o varejo nacional. A confederação informou que mais de 90% dos trabalhadores do setor operam atualmente no regime 6×1.
Na avaliação da entidade, a redução compulsória da jornada elevaria custos operacionais, o que poderia gerar repasse de preços ao consumidor, diminuição de vagas formais e aumento da informalidade. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a decisão apressada coloca em risco a estabilidade de micro e pequenas empresas.
Tadros declarou que o setor não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas defende que o tema seja tratado com embasamento técnico. A confederação sustenta que alterações na jornada deveriam ocorrer via convenções e acordos coletivos, conforme previsto na legislação desde a reforma de 2017.
No Rio de Janeiro, o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, disse que os segmentos de comércio, serviços e turismo dependem de funcionamento em horários estendidos e aos fins de semana. Ele afirmou ser fundamental encontrar um equilíbrio para que a medida não provoque a redução de postos de trabalho.


