A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã mantém o mercado global em alerta. A crise concentra-se no Estreito de Ormuz, principal rota de petróleo e gás, cuja paralisação já afeta o fluxo comercial no Golfo.
Wilson Mendonça, professor de Relações Internacionais na Skema Business School, avalia que a imprevisibilidade regional torna plausível um cenário de petróleo próximo a US$ 90 por barril. O professor considera esse valor “extremamente realista”.
O movimento dos Emirados Árabes Unidos, que suspendeu relações comerciais com o Irã, é visto como mais uma estratégia de pressão. Embora o comércio bilateral tenha valor limitado, a interrupção adiciona uma frente de pressão ao governo iraniano, que já sofre com a paralisação no estreito.
Segundo Mendonça, a estratégia iraniana de usar a passagem como barganha amplia a crise para além da disputa direta com os Estados Unidos. O impacto também alcança o Catar, grande exportador de gás natural liquefeito. Ataques iranianos contra países do Golfo expõem aliados dos EUA, como Arábia Saudita e Bahrein, a riscos.
A crise gera pressão simultânea. O Irã enfrenta sanções e limitações comerciais, enquanto adversários lidam com riscos de abastecimento de energia e transporte internacional.

