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Varejo opera em duas velocidades no Brasil

Carla Fernandes
Última atualização: 13 de agosto de 2026 12:17
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O comércio brasileiro demonstrou operar em dois ritmos em junho, conforme dados divulgados pelo IBGE. Enquanto o varejo restrito, focado em itens básicos, avançou, as vendas do varejo ampliado, que inclui bens duráveis, recuaram.

O varejo restrito, que abrange supermercados e farmácias, registrou alta de 0,5% em comparação com maio. No entanto, o varejo ampliado, que engloba veículos e materiais de construção, apresentou retração de 1%. Em leitura trimestral, ambos os indicadores registraram queda, marcando os primeiros resultados negativos após três trimestres de crescimento, explicou Alexandre Maluf, economista da XP.

A alta no setor de bens essenciais foi impulsionada pela deflação de produtos básicos e por segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico. O setor de hipermercados e supermercados cresceu 1,1% em junho. Matheus Pizzani, economista do PicPay, atribuiu o avanço à queda da inflação de alimentos, o que liberou renda para consumo de itens necessários.

As atividades ligadas a crédito, contudo, pressionaram os índices para baixo. O material de construção caiu 3,5% na margem, e a venda de veículos e autopeças recuou 1,5%. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, observou que a diferença entre os dois setores mostra que o consumo diário se apoia na renda, enquanto compras financiadas sentem a política monetária.

Representantes comerciais mantêm cautela diante dos dados. Aldo Nuñes Macri, presidente do Sindilojas-SP, afirmou que a recuperação depende da convergência da inflação à meta e do recuo dos juros. Economistas apontam que a manutenção da taxa Selic em 14% freia a economia de forma desigual, impactando o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.

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