A Venezuela avalia deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo fontes familiarizadas com o assunto. A possibilidade de saída tem sido discutida em conversas com autoridades dos Estados Unidos, embora nenhuma decisão final tenha sido tomada até esta quinta-feira (27).
A medida reflete o realinhamento político em Caracas após o presidente dos EUA, Donald Trump, destituir Nicolás Maduro e assumir o controle das vendas de petróleo do país. Desde 3 de janeiro, quando a presidente interina Delcy Rodríguez assumiu o poder, Washington restabeleceu relações diplomáticas, reabriu sua embaixada em Caracas e iniciou conversas diretas com o governo local.
Os Estados Unidos negociam a aquisição de uma grande participação em campos petrolíferos venezuelanos. Autoridades americanas projetam a criação de uma potência petrolífera baseada na aliança entre os dois países, o que reduziria a influência da Opep sobre os preços globais. A saída libertaria a Venezuela de eventuais cotas de produção, facilitando a maximização da extração a longo prazo.
A Venezuela produziu 1,16 milhão de barris por dia em julho, volume inferior à metade do registrado há dez anos, apesar do crescimento na produção neste ano. Por esse motivo, a saída do país deve ter pouco impacto imediato nos mercados, que atualmente são dominados pelos efeitos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
O movimento ocorreria quatro meses após a saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel. O Iraque também manifestou frustração com os limites de produção impostos pela organização, liderada pela Arábia Saudita. A retirada de Caracas alimentaria dúvidas sobre a coesão do grupo e sua capacidade de influenciar custos de combustíveis.
Fundadora da Opep em 1960, a Venezuela foi peça-chave na criação do grupo e, posteriormente, na formação da Opep+ em 2016, junto à Rússia. Atualmente, a predominância do cartel é desafiada pelo petróleo de xisto americano e por novas descobertas de petróleo no Brasil e na Guiana.

