Um relatório do UNICEF Innocenti, realizado com a ECPAT International e a Interpol, revela que 19% das crianças e adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados por tecnologia em um período de um ano. A estimativa atinge aproximadamente 3 milhões de jovens no país.
A preocupação com a segurança digital ganhou evidência após o desaparecimento de uma adolescente de 13 anos em Anápolis, em Goiás. Segundo a delegada Aline Lopes, responsável pela investigação, a menina manteve contato por dois meses com um homem de 19 anos por meio do Discord, plataforma que a família sequer sabia que a jovem utilizava.
Especialistas e autoridades alertam que o risco não se limita a um único aplicativo, mas se estende a jogos como Roblox e Fortnite, redes sociais como Instagram, TikTok e Snapchat, além de mensageiros como o Telegram. Nessas plataformas, chats privados, chamadas de voz e grupos públicos podem ser utilizados por pessoas mal-intencionadas para abordar menores.
Para mitigar riscos, o UNICEF recomenda que pais mantenham diálogo aberto sobre a vida digital dos filhos e ativem configurações de privacidade. Sinais de alerta incluem a tentativa de esconder a tela do aparelho, recebimento de presentes sem explicação, conversas com desconhecidos em segredo ou a intenção de encontrar pessoalmente pessoas conhecidas apenas pela internet.
Desde março de 2026, vigora no Brasil o ECA Digital. A legislação estabelece que serviços digitais devem adotar configurações de privacidade mais protetivas por padrão e oferecer ferramentas de supervisão parental. Para contas de usuários com até 16 anos em redes sociais, a lei prevê a vinculação ao controle dos responsáveis.
Empresas como Meta, TikTok e Epic Games implementaram recursos de “Contas de Adolescentes” ou “Contas Limitadas”, que restringem quem pode enviar mensagens e exigem autorização dos pais para alterar níveis de proteção. No Discord e Snapchat, existem Centrais da Família que permitem monitorar a lista de amigos e a atividade, sem expor o conteúdo das conversas privadas.

