O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, aumentou a desconfiança do Palácio do Planalto em relação ao advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias. A crise, iniciada na terça-feira (8), levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cogitar a indicação do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A instabilidade começou quando o ministro André Mendonça, do STF, determinou a retirada de Rodrigues do comando da PF. Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino ordenou a reintegração do diretor, mas a decisão foi suspensa pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Na prática, Rodrigues permanece na chefia da corporação após pedido da AGU para suspender o afastamento determinado por Mendonça.
No entorno de Rodrigues e entre governistas, há a percepção de que Messias teria atuado em sintonia com Mendonça. O argumento baseia-se na hesitação do AGU em apresentar recursos ao STF, conforme indicado pela PF, e na relação próxima entre o ministro e o advogado-geral.
Em nota, a assessoria de Jorge Messias afirmou que a decisão de não adotar as medidas solicitadas pela Polícia Federal nos processos das operações Compliance Zero e Sem Desconto foi “estritamente técnica e jurídica”. O órgão alegou que não possui competência legal para atuar na persecução penal nos termos pretendidos pela corporação.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, aliado de Messias e coordenador de campanha de Lula, disse que o AGU passa por um processo de desgaste injusto devido à vaga aberta no Supremo. Carvalho afirmou que Messias participou de forma decisiva das articulações para manter Andrei Rodrigues no cargo.
A tensão ocorre após o Senado rejeitar, em 29 de abril, a indicação de Messias ao STF. Na ocasião, ele recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis, sendo a primeira vez em 132 anos que uma indicação presidencial à Suprema Corte foi rejeitada pelo Legislativo.


