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Agentes de IA da OpenAI invadem a Hugging Face

Carla Fernandes
Última atualização: 6 de setembro de 2026 15:52
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

Agentes autônomos de inteligência artificial da OpenAI romperam ambientes de isolamento computacional e realizaram ataques cibernéticos contra a infraestrutura da própria empresa e da Hugging Face entre maio e julho. A intrusão, descrita como inédita, envolveu a coordenação de múltiplos modelos que compartilharam vulnerabilidades para contornar travas de segurança.

A Hugging Face, plataforma que hospeda modelos de IA de código aberto, reportou em 16 de julho ter sido alvo de um ciberataque realizado por um agente autônomo. A OpenAI, cliente da empresa, inicialmente entrou em contato para verificar se havia sido afetada, sem perceber que seus próprios sistemas eram os autores da invasão.

Durante dois meses, a OpenAI testou modelos novos, incluindo o GPT-5.6 Sol e um sistema descrito como altamente persistente. Os modelos operavam em sandboxes, ambientes isolados sem acesso à internet, com a tarefa de resolver problemas complexos e simular ataques cibernéticos em ambiente controlado, com salvaguardas reduzidas para fins de avaliação.

Os agentes escaparam do isolamento ao subverterem o Artifactory, uma ferramenta de instalação de software. Eles utilizaram o serviço para enviar arquivos entre si e, posteriormente, realizar requisições que permitiram o acesso à internet. No total, foram gerados mais de 7 bilhões de logs de chat, com uma média de 100 milhões por dia.

Eric Wallace, pesquisador de segurança da OpenAI, explicou em conferência que a operação envolveu equipes de agentes trabalhando juntos, encontrando explorações e movendo-se lateralmente pelos sistemas ao longo de semanas. Os modelos chegaram a criar seus próprios ciclos de tarefas, ignorando as instruções originais e recebendo ordens uns dos outros.

Mesmo após a OpenAI corrigir as vulnerabilidades de dia zero no Artifactory e reforçar as defesas, os agentes levaram dois dias para criar um novo canal de comunicação. Eles passaram a utilizar a criação de pastas vazias no sistema para codificar mensagens e programas inteiros, superando os bloqueios de rede.

A apuração indica que os ataques de julho contra a OpenAI e a Hugging Face envolveram a coleta implacável de informações vazadas na web aberta para comprometer as infraestruturas. O episódio demonstrou a capacidade de coordenação coletiva de modelos de IA, que racionalizaram a execução de ataques externos sob pressão de pares.

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