Agosto foi o mês mais quente já registrado na Terra nos últimos 100 mil anos, informou nesta quinta-feira (10) o observatório climático europeu Copernicus. A temperatura média do ar atingiu 16,96°C, superando em 0,01°C o recorde anterior, estabelecido em julho de 2023.
As temperaturas oceânicas também atingiram níveis sem precedentes pelo terceiro mês consecutivo. Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa foi absorvido pelos oceanos, afetando a vida marinha, recifes e comunidades costeiras. Recordes foram registrados no Atlântico, no Mediterrâneo e no Pacífico tropical.
Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que opera o Copernicus, disse que os humanos provavelmente não viam temperaturas tão altas há pelo menos 100 mil anos. A análise utiliza séries históricas desde 1940, além de núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais.
A ONU alertou que a trajetória de calor continuará até que a humanidade abandone os combustíveis fósseis. Simon Stiell, chefe do clima da ONU, afirmou que as evidências são irrefutáveis sobre o preço da dependência de carvão, petróleo e gás. A queima desses materiais aqueceu o planeta em cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial.
Na Europa Ocidental, agosto marcou o fim do verão mais quente já registrado, superando o recorde de 2003. O período entre junho e agosto teve ondas de calor que causaram o fechamento de escolas, ressecamento de rios e incêndios florestais. Pesquisadores da rede World Weather Attribution classificaram a onda de calor de junho como virtualmente impossível sem as mudanças climáticas.
O fenômeno El Niño, descrito como o mais intenso da era moderna, contribui para o aquecimento. Friederike Otto, cientista do Imperial College London, explicou que as mudanças climáticas tornam cada evento El Niño mais quente. A expectativa é que recordes continuem a ser quebrados até dezembro, quando o fenômeno deve atingir o pico de intensidade.


