A Alemanha, historicamente marcada pelo envio de colonos para as Américas e Rússia, consolidou-se como um país de imigração. Segundo o Departamento Federal de Estatísticas, mais de 30% da população alemã possuía algum histórico de imigração em 2025, alterando a dinâmica demográfica e o debate político da nação.
O processo de inversão começou em meados do século 20. Entre 1956 e 1973, o governo da Alemanha Ocidental implementou o programa de trabalhadores convidados, recrutando italianos, gregos, espanhóis, portugueses, iugoslavos e turcos. Cerca de 14 milhões de pessoas chegaram ao país nesse período, e 3 milhões permaneceram definitivamente.
Anteriormente, o fluxo era oposto. No século 19, cerca de seis milhões de alemães emigraram para o Novo Mundo devido ao crescimento populacional e crises no mercado de trabalho. Entre o início do século 19 e a Primeira Guerra Mundial, 60 milhões de europeus deixaram o continente, incluindo colonos que chegaram ao Brasil a partir de 1824.
O historiador Jochen Oltmer explica que a percepção sobre os migrantes está ligada às expectativas econômicas. Segundo Oltmer, a Alemanha demorou a se reconhecer como país de imigração por acreditar que os trabalhadores estrangeiros retornariam aos seus países de origem, o que desestimulou investimentos em integração social.
Atualmente, o governo busca atrair profissionais qualificados, enquanto o asilo é restrito a perseguidos políticos ou vítimas de conflitos armados. O pesquisador afirma que a aceitação varia conforme a origem, citando que sírios foram mais aceitos que afegãos durante a crise de 2015.
Pedidos de asilo representam cerca de 10% da migração para a Alemanha. A maior parte dos fluxos ocorre por motivos de estudo, trabalho ou reunião familiar. Oltmer defende a regularização de imigrantes que vivem há anos no país e a necessidade de um debate amplo sobre o futuro da sociedade.

