Defensores da saúde mental e especialistas em bioética alertam que o algoritmo do TikTok pode prejudicar a recuperação de pessoas que passaram por términos de relacionamento. Ao direcionar usuários para fluxos constantes de vídeos sobre luto e separação, a plataforma aumentaria o tempo de engajamento em detrimento do bem-estar emocional.
O segmento conhecido como “BreakupTok” oferece relatos pessoais, conselhos sobre a interrupção de contato com ex-parceiros e orientações de terapeutas. Jodi Halpern, professora de bioética da Universidade da Califórnia, em Berkeley, afirma que a imersão excessiva nesse conteúdo e o pensamento constante na pessoa perdida dificultam a recuperação.
O sistema do aplicativo monitora o tempo de visualização, a velocidade de rolagem e as interações para determinar os próximos vídeos. Michael Rich, fundador do Digital Wellness Lab do Boston Children’s Hospital, disse que a plataforma responde a estados de vulnerabilidade e solidão para elevar as métricas de tempo de uso.
Segundo Rich, alimentar usuários com conteúdos de términos pode levar ao uso excessivo do aplicativo, prejudicando o processo natural de cura e prolongando a dor da separação. A apuração indica que a exposição acidental a ex-parceiros ou a busca por informações sobre eles gera angústia e retarda o crescimento pessoal.
Estudos apontam que redes sociais frequentemente trazem ex-parceiros de volta ao feed, mesmo quando o usuário tenta removê-los. Halpern associa táticas manipuladoras de engajamento e o uso de chatbots à deterioração da saúde mental e, entre jovens, a problemas graves e atos suicidas.
O TikTok não quis comentar as críticas. Em ocasiões anteriores, a empresa reconheceu que alguns vídeos podem reforçar inadvertidamente experiências pessoais negativas para quem terminou um relacionamento recentemente.

