Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva organizaram uma operação para evitar ataques contra a governadora Raquel Lyra (PSD) durante a agenda do petista em Pernambuco, nesta sexta-feira (25). A estratégia inclui a recomendação para que a primeira-dama, Janja da Silva, não discurse para evitar menções a polêmicas recentes envolvendo a governadora.
A coordenação de campanha reforçou a presença na agenda para convencer o presidente a não criticar Lyra no palanque ao lado do ex-prefeito João Campos (PSB). A cúpula do PT avalia que a governadora não pode ser empurrada para o lado de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da disputa estadual. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira indica empate técnico, com Lyra detendo 48% das intenções de voto contra 44% de Campos.
Um dos pontos de atenção é um vídeo gravado em maio de 2025, em Garanhuns, no qual a governadora sugere a realização de uma laqueadura em uma mulher sem o conhecimento da paciente. As imagens tornaram the público no último domingo e foram usadas por João Campos para atacar a adversária, que pediu desculpas. Como a defesa dos direitos das mulheres é um tema recorrente nos discursos de Janja, a orientação é que ela permaneça em silêncio.
A ida de Lula ao estado ocorreu após insistência de João Campos, presidente nacional do PSB. Aliados do presidente afirmaram que a ausência poderia levar o candidato a culpar o governo federal por uma eventual derrota. O PSB é o principal aliado do PT e indicou Geraldo Alckmin como vice na chapa presidencial.
A movimentação é vista por aliados de Campos como uma vitória sobre o ex-ministro Rui Costa, interlocutor da governadora no governo federal, que defendia um palanque duplo. A cautela se repetiu na passagem de Lula por Alagoas, na quinta-feira, onde houve contato com Arthur Lira (PP-AL) para garantir que não haveria ataques ao ex-presidente da Câmara.
A cautela com lideranças do Centro surge após fala de Lula no Piauí, no início do mês, sobre “vira-latas” na disputa ao Senado. A declaração foi interpretada como indireta a Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, que manteve o partido neutro no primeiro turno para evitar choques com a popularidade do presidente no estado, onde Lula obteve 76,8% dos votos válidos em 2022.

