Governos dos Estados Unidos e de outros 14 países das Américas assinaram, na última terça-feira (22), um acordo para designar facções narcotraficantes como ameaças compartilhadas. O documento prevê sanções contra 24 grupos, incluindo as organizações brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
As medidas incluem o congelamento de ativos, restrições de imigração e de visto para membros e apoiadores, além da responsabilização criminal de quem fornecer apoio logístico ou material. O texto, divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA, afirma que as ações visam enfrentar o narcoterrorismo que coloca em risco a paz e a segurança do hemisfério.
A coalizão, chamada de Escudo das Américas, foi criada em março de 2026 em reunião na Flórida, a convite do presidente Donald Trump. O grupo é composto por governos ideologicamente alinhados ao republicano, como Argentina, Bolívia e Peru. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi convidado para a formação da entidade.
Representantes da esquerda, como a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também ficaram de fora inicialmente. A Colômbia integrou o bloco posteriormente, após a posse de Abelardo de la Espriella. O documento de sanções atual é assinado por 15 países, incluindo Trinidad e Tobago e República Dominicana.
O acordo prevê o uso de um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) para viabilizar as punições. A iniciativa é associada por especialistas à Doutrina Donroe, projeto do governo Trump para manter os países americanos sob a zona de influência dos EUA.
Durante fala na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23), Donald Trump comparou os cartéis de drogas ao Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. O presidente afirmou que as Forças Armadas dos EUA foram mobilizadas para eliminar gangues que utilizam tortura e extorsão como instrumentos de terror.


