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Alunos procuram hospitais após compartilhamento de agulhas em escola

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de setembro de 2026 09:57
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

Pelo menos 23 pessoas, a maioria crianças, procuraram unidades de saúde para tratamento profilático após o compartilhamento de lancetas de teste de glicose em uma feira de ciências do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. O incidente ocorreu no sábado, quando uma estudante utilizou o mesmo instrumento em até três participantes.

O Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, confirmou 20 atendimentos. Outras três pessoas buscaram auxílio na rede particular. A instituição de ensino informou que a estudante, com idade entre 12 e 13 anos, realizou os procedimentos sem autorização de professores ou coordenadores, contrariando a orientação de apenas exibir o aparelho.

O vice-diretor-geral do colégio, Antonio Henrique, afirmou que a mãe da aluna teria se baseado em uma recomendação do fabricante que permitiria o uso da agulha três vezes. A escola ressaltou em comunicado que o material é de uso individual e que o compartilhamento motivou o alerta imediato às famílias.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Alexandre Telles, alertou que a prática pode transmitir sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV. A infectologista Margareth Dalcomo afirmou que agulhas jamais devem ser compartilhadas, destacando que a situação era evitável. O protocolo do Ministério da Saúde prevê o início da profilaxia pós-exposição em até 72 horas, com tratamento por 28 dias.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que todos que necessitavam de medicação foram atendidos no prazo. A direção do Hospital Lourenço Jorge assegurou que a unidade permanece abastecida com o estoque de profilaxia necessário. Até o momento, todos os testes de glicose realizados durante o evento deram negativo.

Uma equipe do Centro Municipal de Saúde Harvey Ribeiro de Souza Filho visitará a escola nesta segunda-feira (14), das 11h às 14h, para orientar responsáveis e identificar outros participantes que não buscaram atendimento. Não haverá aplicação de medicamentos ou testagens no local.

O colégio contratou a infectologista pediátrica Patrícia Guttman para acompanhar os envolvidos. O atendimento ocorrerá na quinta-feira (17), a partir das 14h30, mediante agendamento. A psicóloga da instituição também está disponível para atender alunos que relataram angústia após o episódio.

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