A Amazônia Legal perdeu 2.053 km² de floresta de janeiro a agosto de 2026, a segunda menor área desmatada nesse intervalo em oito anos. O número é 2% maior que o do mesmo período de 2025, mas fica 74% abaixo do patamar de 2022, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
O monitoramento por satélite do Imazon, divulgado nesta terça-feira (29), mostra que o desmate acumulado no período ficou bem distante do recorde de 2022, quando 7.943 km² foram destruídos, o maior volume desde 2008. A menor marca histórica para janeiro a agosto segue sendo a de 2012, com 714 km².
Apenas em agosto, a derrubada chegou a 463 km², valor 19% acima do registrado no mesmo mês de 2025 e também a segunda menor área para o mês desde 2018. O pico de agosto foi em 2021, com 1.606 km², enquanto o menor registro se deu em 2008, com 102 km².
Pará, Mato Grosso e Amazonas foram os estados que mais desmataram de janeiro a agosto. Juntos, os três concentraram 83% de toda a derrubada registrada na Amazônia Legal no período, conforme o Imazon.
“Olhar a série histórica é muito importante para entendermos que o Brasil já conseguiu reduzir significativamente a derrubada da floresta amazônica, mas ainda precisa de mais esforços para atingir a meta de desmatamento zero até 2030”, declarou Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon. A meta do governo federal é zerar o desmate na região até 2030.
As terras indígenas da Amazônia concentraram 1,6% do desmatamento total registrado de janeiro a agosto, com 32,25 km² de floresta destruída. Dos territórios monitorados, 246 (63%) não registraram nenhuma derrubada no período. Outros 138 (35%) tiveram desmate inferior a 1 km², e 7 (2%) ultrapassaram esse patamar.
As unidades de conservação registraram 192,8 km² de desmatamento no período, o que corresponde a 9% do total da Amazônia Legal. Das 333 UCs monitoradas, 218 (65%) tiveram desmate zero, 93 (28%) registraram derrubada inferior a 1 km² e 22 (7%) superaram esse limite.
A degradação florestal, que difere do desmatamento por não implicar remoção total da vegetação e é causada principalmente pelo fogo e pela extração madeireira, caiu 72% na Amazônia de janeiro a agosto de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. A área degradada passou de 2.744 km² para 779 km². Somente em agosto, a degradação recuou de 559 km² para 436 km², queda de 22%. Mato Grosso e Pará concentraram, respectivamente, 47% e 32% de toda a degradação registrada no mês.

