O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (17) que é alvo de represálias e tentativas de intimidação. As pressões teriam começado após ele decidir dar prosseguimento a informações enviadas pela Polícia Federal (PF) em investigações que envolvem o Banco Master.
Em mensagem enviada a jornalistas, Mendonça declarou ter sido advertido, de maneira implícita e explícita, sobre a possibilidade de ataques contra ele e pessoas próximas. O ministro afirmou que já previa a reação ao decidir levar adiante os dados recebidos da PF.
A declaração ocorre durante a escalada de uma crise interna no STF provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master. Mendonça enfrenta questionamentos de outros ministros sobre a condução dos processos sob sua relatoria, o que levou a Corte a submeter suas decisões e procedimentos à análise do plenário.
Mendonça citou o filósofo Schopenhauer para classificar as críticas como ataques pessoais injustos e ofensivos, utilizados quando não se tem razão em um debate. O texto foi divulgado horas depois de o ministro Gilmar Mendes fazer novas críticas públicas à atuação do colega.
O decano do STF questionou a forma como Mendonça atuou no caso e atribuiu motivação política à conduta do magistrado, chamando-o de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Mendonça rejeita as acusações de que sua atuação tenha caráter político.

