A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regularizou, em julho deste ano, um exame de sangue capaz de identificar o biomarcador p-tau217, proteína relacionada ao Alzheimer. A tecnologia permite a confirmação precisa da doença, superando o modelo anterior baseado em probabilidade clínica e exclusão de outras causas.
Até então, o diagnóstico dependia da história do paciente, relatos familiares e exames de imagem para descartar outras patologias. A nova ferramenta identifica depósitos de beta-amiloide no cérebro, diferenciando o Alzheimer de quadros de depressão ou outros tipos de demência que apresentam sintomas semelhantes.
A neurologista Marcela Augostinho, especialista em dor e demências, explica que o avanço no diagnóstico coincide com a chegada de medicamentos modificadores da doença. Diferente de remédios como donepezila e rivastigmina, que apenas controlam sintomas, as terapias antiamiloides buscam reduzir as proteínas beta-amiloide depositadas no cérebro.
Para que o tratamento seja eficaz, a médica afirma que o paciente deve estar nos estágios iniciais da doença e ter a presença de biomarcadores confirmada. O diagnóstico precoce é essencial, pois a medicação não apresenta a mesma utilidade em fases moderadas ou avançadas da patologia.
A especialista alerta que sinais como a perda de habilidades em atividades rotineiras — como cozinhar, costurar ou gerir finanças — e a desorientação em locais conhecidos devem ser investigados. Ela ressalta que a perda auditiva e a depressão em idosos também podem mimetizar sintomas de demência.
Apesar dos avanços, o acesso a essas tecnologias é restrito. Segundo Augostinho, o alto custo dos exames e das novas terapias limita a disponibilidade na rede pública e restringe o uso a pacientes com maior condição financeira.


