O Ibovespa avançou 1,42%, aos 188.269 pontos, e o dólar caiu para R$ 5,10 nesta quinta-feira (10). O desempenho positivo do mercado financeiro brasileiro, que divergiu de índices externos, foi impulsionado por novas pesquisas eleitorais, a alta do petróleo e apostas em plataformas de mercado preditivo.
Sondagens que indicam disputa acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com vantagem numérica para o parlamentar em alguns levantamentos, influenciaram a leitura dos investidores. A valorização também foi beneficiada pelo petróleo a US$ 107 o barril, o que aumenta a receita de exportações de óleo cru e favorece ações de petroleiras, como a Petrobras.
A plataforma de preditivos Polymarket, proibida de operar no Brasil desde abril, registrou US$ 3 milhões em apostas sobre eventos brasileiros na quinta-feira. O volume foi o terceiro maior da plataforma, ficando atrás apenas de apostas em jogos da Liga dos Campeões da Europa entre PSV e Roma. O interesse no Brasil superou, inclusive, as apostas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.
Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Financial, explicou que existe uma retroalimentação entre as pesquisas, o noticiário de crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e as apostas. Segundo Siqueira, quem aposta tende a comprar ações, e a melhora nas apostas atrai novos compradores, gerando euforia no mercado.
Luiz Figueiredo, conselheiro da Jubarte Capital e ex-diretor do Banco Central, afirmou que as apostas preditivas influenciam o apetite do mercado, embora reflitam percepções que já atingiam os agentes econômicos há algumas semanas. Desde 20 de agosto, investidores estrangeiros aportaram R$ 11,1 bilhões no mercado de capitais brasileiro, motivados por cotações consideradas baratas.
Frederico Nobre, gestor de ações da Warren, disse que a percepção do mercado é de que a alternância política traz expectativa de mudança na trajetória da dívida pública e do Produto Interno Bruto (PIB), facilitando a política monetária. O volume de opções de compra do EWZ, fundo de índice de ações brasileiras em Nova York, subiu de 2,8 milhões de contratos em 24 de agosto para 5,2 milhões na última sexta-feira, o maior nível desde 2007.

