Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) constataram que compostos aromáticos sintéticos conseguem atrair morcegos dispersores de sementes. A técnica surge como alternativa mais barata e simples do que o uso de óleos essenciais puros para a restauração de ecossistemas degradados.
O estudo identificou que morcegos dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira são atraídos por substâncias que mimetizam frutos de plantas como figueiras, jaborandis e tomates silvestres. Ao serem guiados pelo olfato, os animais sobrevoam a região e dispersam sementes por meio das fezes, promovendo a recuperação natural da vegetação.
A substituição de óleos naturais por sintéticos evita a coleta intensiva de frutos silvestres. Segundo a pesquisadora Lays Cherobim, da PUC-PR, a extração de óleos puros é ineficiente, pois 500 gramas de frutos podem render apenas algumas gotas do produto.
A tecnologia foca em biomas fragmentados, como a Mata Atlântica, que possui apenas 12,4% de sua cobertura original, conforme dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, do Inpe e da Fundação SOS Mata Atlântica. O pesquisador Gledson Bianconi, do IFPR, afirmou que a estratégia reduz a dependência do plantio de mudas, processo considerado longo e custoso.
Para a aplicação, os cientistas utilizam septos de borracha de látex pendurados em árvores. O material absorve a substância e a libera gradualmente, mantendo a atratividade por um período de 20 a 25 dias em testes de cativeiro.
A pesquisadora Sandra Mikich, da Embrapa Florestas, informou que os próximos passos incluem a identificação de novos compostos e o uso de câmeras infravermelhas para monitoramento noturno. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), especificamente nos eixos de consumo responsável e vida terrestre.

