O número de assassinatos de defensores do meio ambiente dobrou no Brasil em 2025, segundo relatório anual da ONG Global Witness. O país é agora o segundo mais perigoso do mundo para esses ativistas, ficando atrás apenas da Colômbia, em um cenário onde disputas por terras impulsionam a violência.
Brasil e Colômbia concentraram 52% das mortes de ativistas ambientais no ano passado, com 26 e 39 vítimas, respectivamente. No território brasileiro, os ataques se concentraram nos estados de Rondônia e Pará. A Global Witness aponta que o principal motivo dos crimes são os conflitos históricos por terras entre indígenas e latifundiários.
Carlos Lima, da Comissão Pastoral da Terra, afirmou que a certeza da impunidade funciona como uma licença para matar. A ONG denuncia a aplicação desigual de compromissos sobre direitos territoriais no Brasil, país que sediou a conferência climática COP30.
Na América Latina, região mais letal do mundo para esses defensores, 40% das vítimas são agricultores e 36% são indígenas, especialmente em áreas remotas. O relatório indica que o poder do crime organizado e os interesses de empresas extrativistas de petróleo e minerais agravam a violência e a corrupção na região.
A Colômbia ocupa o primeiro lugar no ranking pelo quarto ano consecutivo. Embora tenha registrado 39 mortes em 2025 — número inferior aos 48 do ano anterior —, o país mantém o foco da violência no departamento de Cauca, área indígena com forte presença de narcoculturas. A ativista Astrid Torres, da Somos Defensores, disse que muitas pessoas silenciaram para proteger a própria vida.
No total, 124 ambientalistas foram assassinados globalmente no ano passado. Honduras e Filipinas registraram 12 mortes cada, seguidas pelo México, com 10. Na Ásia, as Filipinas concentraram a maioria dos 12% dos assassinatos verificados, impulsionados por projetos extrativistas e programas de luta contra a insurgência.
A Global Witness registrou uma queda nos números totais desde 2023, mas alertou que os dados podem estar subestimados. A organização explicou que a falta de denúncias é comum em cenários de genocídio e conflitos armados graves.


