O desfile de 7 de Setembro, realizado nesta segunda-feira (7) em Brasília, foi marcado por movimentações e conversas reservadas entre autoridades dos Três Poderes na tribuna de honra. A cerimônia reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
O evento manteve tom sóbrio e caráter institucional, seguindo orientação da Advocacia-Geral da União (AGU) para evitar manifestações político-partidárias ou discursos de autoridades que pudessem influenciar o eleitorado durante a campanha eleitoral.
Um dos momentos de destaque foi o abraço entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e Davi Alcolumbre. Interlocutores atribuem a Alcolumbre papel central na articulação que impediu a aprovação de Messias para uma vaga no STF, em uma rejeição no plenário do Senado considerada histórica desde 1894.
Em contraste, observou-se a falta de interação entre Messias e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Os dois ficaram lado a lado na área reservada, mas não se cumprimentaram antes de Rodrigues seguir em outra direção.
O distanciamento ocorre após a divulgação de um relatório de inteligência da PF que recomendou monitoramento sobre o ministro André Mendonça, relator do caso Master e INSS no STF, e sua relação com Messias. O documento citava que a proximidade entre ambos elevava a percepção de risco sobre a indicação do chefe da AGU ao Supremo, embora o relatório tivesse grau de confiança baixo e sem valor probatório.
Messias declarou recentemente que a função pública deve ser orientada pela Constituição e regras da República, e não por afinidades pessoais. Associações de carreiras da Advocacia Pública Federal também emitiram nota em defesa do advogado-geral, afirmando que divergências jurídicas não podem ser usadas como elemento de suspeição.


