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Avalanche no Nepal deixa mil mortos e alerta para degelo global

Carla Fernandes
Última atualização: 4 de setembro de 2026 00:40
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

Uma avalanche na fronteira entre Nepal e Tibete, ocorrida no fim de agosto, causou mais de mil mortes e deixou ao menos 4.200 desaparecidos. O desastre reacendeu o debate sobre a injustiça climática, evidenciando como populações de países pobres sofrem impactos severos de crises ambientais causadas por nações industrializadas.

Dados do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (Icimod) indicam declínio consistente das geleiras do Himalaia nos últimos 50 anos, com aceleração do processo desde 2000. No caso do Nepal, o desmoronamento da face norte da montanha Langtang Lirung liberou 200 milhões de metros cúbicos de rocha e gelo, volume equivalente a 100 estádios de futebol.

O coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Cláudio Angelo, afirmou que o país é um exemplo de injustiça climática por ser um dos mais pobres do mundo e não figurar entre os 100 maiores poluidores. Angelo disse que o fundo de perdas e danos, aprovado em 2022 no Egito, ainda recebe pouco aporte dos países ricos, apesar de as nações afetadas na Ásia Central terem contribuído com apenas 0,1% das emissões históricas.

A glaciologista Inés Dussaillant, pesquisadora da Universidade do Chile, alerta que desastres com perda massiva de vidas são prováveis onde há populações próximas a montanhas e falta de monitoramento. Na Argentina, a cidade de El Chaltén é considerada vulnerável a inundações súbitas por rompimento de lago glacial, fenômeno conhecido como GLOF. O Lago Torre, próximo à localidade, tem aumentado anualmente devido às altas temperaturas.

Em contraste, Dussaillant citou que nos Alpes o monitoramento tecnológico e financiamento governamental atenuam os impactos. No vilarejo suíço de Blatten, a evacuação prévia evitou mortes quando uma geleira desmoronou em 2025. O Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras aponta que o volume de gelo global começou a cair na década de 1990, com recuo acelerado em quase todo o planeta.

Um relatório da ONU publicado nesta quarta-feira admitiu que o planeta superará o limite de 1,5°C de aquecimento global estabelecido pelo Acordo de Paris. O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Simões, explicou que o derretimento mais acelerado ocorre atualmente em regiões temperadas e nos trópicos. Segundo Simões, a probabilidade de desastres aumenta em locais com maior corpo de gelo e terrenos mais íngremes.

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