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Avanço do mar destrói casas e ruas em Atafona

Carla Fernandes
Última atualização: 2 de setembro de 2026 04:39
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O avanço do mar no distrito de Atafona, em São João da Barra, no Norte Fluminense, provocou a submersão de mais de 500 casas em uma faixa de dois quilômetros. O processo de erosão, iniciado na década de 1960, destrói ruas, redes de esgoto e estruturas elétricas, com recuos que chegam a seis metros por ano.

Moradores relatam a perda drástica de terreno ao longo das décadas. Uma mulher que construiu sua residência em 1978 informou que, na época, havia dois quarteirões, a Avenida Atlântica asfaltada e uma extensa faixa de areia separando a casa da praia. Em 2019, a água atingiu o muro dos fundos, forçando a mudança para um apartamento no mesmo terreno.

A instabilidade das construções é causada pela retirada da areia sob os terrenos, o que deixa os muros sem sustentação. Um morador relatou que, em apenas 15 dias, o mar avançou entre três e quatro metros, tornando imprevisível o momento em que as residências restantes precisarão ser abandonadas.

A economia local também sofre impactos. A redução da vazão do rio Paraíba do Sul dificultou a entrada de barcos, prejudicando a atividade pesqueira na região.

O geólogo Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que o problema resulta de fatores naturais e humanos. No longo prazo, o aumento do nível do mar por mudanças climáticas é determinante. No curto e médio prazo, ressacas e períodos alternados de chuva e seca agravam a situação.

Bulhões aponta que atividades de mineração e desvios de água para a agricultura, realizados ao longo de 40 anos, reduziram a capacidade do rio Paraíba do Sul de transportar sedimentos até a foz. Sem a areia, a praia perde a recomposição natural. A ocupação do litoral também eliminou dunas e vegetações que serviam de proteção.

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