A Bacia Amazônica abriga mais de 2.700 espécies de peixes de água doce, o que equivale a cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Os dados constam na quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, publicado na última terça-feira (8), sob liderança da The Nature Conservancy (TNC).
O estudo, que contou com a colaboração de 50 especialistas de 30 organizações, revela que aproximadamente dois terços dessas espécies são encontradas exclusivamente na região. O documento combina evidências científicas e conhecimento ecológico tradicional para analisar o papel dos peixes na economia e na segurança alimentar das populações locais.
A conectividade dos rios é apontada como fundamental para a sobrevivência de espécies como a dourada, que percorre mais de 11 mil quilômetros em seu ciclo de vida. No entanto, o relatório indica que barragens no rio Madeira interromperam rotas migratórias e reduziram os estoques de peixes.
A biodiversidade enfrenta pressões crescentes. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 144 espécies estão ameaçadas e 334 possuem dados insuficientes. Entre as principais causas do declínio estão o desmatamento, a poluição, a pesca excessiva e as mudanças climáticas, que provocam secas prolongadas.
O garimpo de ouro é citado como fator crítico, sendo responsável por 83% das emissões de mercúrio provocadas por humanos na América do Sul. A apuração indica que o consumo de peixe é a principal via de exposição da população amazônica a esse contaminante.
No aspecto econômico, o pescado sustenta milhares de famílias, com a pesca ornamental exportando dezenas de milhões de exemplares anualmente. O relatório identificou 155 iniciativas de manejo comunitário no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia, envolvendo 21 mil pescadores em uma área de quase 13 milhões de hectares.
Pesquisadores recomendam a recuperação dos regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e a melhoria da qualidade da água. O grupo defende a proteção de rios de fluxo livre e a coordenação entre os países da Bacia Amazônica, com a inclusão de povos indígenas e comunidades locais na gestão.


