O Banco Central (BC) informou, nesta quinta-feira (24), que cerca de 40% do aumento recente da inadimplência no Sistema Financeiro Nacional (SFN) é resultado da implementação da Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN). O órgão explicou que o impacto é de natureza contábil e não reflete novos atrasos imediatos de pagamentos.
A norma estabelece novas regras para a classificação e o reconhecimento de perdas em operações de crédito. Com a medida, os bancos devem reclassificar ativos financeiros e registrar provisões maiores para operações renegociadas, o que eleva o índice de inadimplência sem que novos clientes tenham deixado de pagar. O indicador de atrasos acima de 90 dias atingiu 4,9% em julho, o maior valor da série histórica do BC.
As informações constam no Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro. O documento afirma que a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista elevou o custo médio do crédito, reduzindo a procura por financiamentos de veículos e crédito consignado. Como alternativa, as famílias aumentaram o uso do cheque especial e do rotativo do cartão.
No setor rural, a autoridade monetária aponta que a inadimplência no crédito direcionado para pessoas físicas chegou a 8,8%, nível recorde. O cenário é atribuído a custos financeiros elevados, margens comprimidas no agronegócio e quebras pontuais de safras. O comprometimento de renda das famílias foi de 28,9% em junho, o maior índice desde o início da série, em 2005.
O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026 em comparação ao primeiro. O BC associa a queda ao fim do efeito de medidas que elevaram a renda disponível, como a antecipação de precatórios, o reajuste do salário mínimo e a ampliação da isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). O rendimento médio real habitual caiu 0,6% no período.
Apesar do cenário, a taxa de desocupação registrou 5,4%, a menor marca da série histórica. Para 2026, o Banco Central projeta um crescimento de 9,1% no saldo total de crédito do SFN, elevando a estimativa anterior de 9,0%. Para 2027, a previsão de alta é de 8,8%.


