O escritório Bailey Glassler International (BGI) anunciou, nesta quinta-feira (17), a contratação do advogado Tom Goodhead para representar brasileiros em ação na Justiça inglesa contra a mineradora BHP. O processo trata do rompimento da barragem de Fundão da Samarco, ocorrido em Mariana (MG), em 2015.
O BGI, braço internacional do escritório norte-americano Bailey & Glassler, contratou Goodhead e outros seis advogados, sendo quatro ex-sócios do escritório Pogust Goodhead (PG) e dois que já atuavam no caso. O PG era o único representante das vítimas no julgamento de novembro de 2025, quando o Tribunal Superior de Londres decidiu que a BHP é culpada pelo desastre.
A disputa entre as bancas será analisada pela Justiça inglesa em audiência marcada para os dias 5 e 6 de outubro. Alicia Alinia, CEO do PG, afirmou que a desestruturação do aparato jurídico e operacional construído ao longo de anos coloca em risco o julgamento das indenizações, previsto para começar em abril de 2027. O BGI declarou que a mudança não traz prejuízos à ação.
Goodhead fundou o PG, mas foi afastado do cargo de CEO em agosto de 2025 por divergências com investidores e deixou a firma em setembro do mesmo ano. Segundo a imprensa internacional, o advogado teria recusado uma proposta de acordo de £ 1,4 bilhões (cerca de R$ 9,6 bilhões) por considerar o valor baixo. O BGI afirma que Goodhead foi afastado oito semanas após a recusa do acordo.
Em nota, o PG negou que a proposta de acordo estivesse pronta para apresentação e afirmou que Goodhead deixou a empresa após surgirem preocupações sobre a administração financeira do caso. O escritório alegou que houve uso de dinheiro da firma e de financiadores para fins pessoais do advogado. O PG declarou ainda que Goodhead “não é vítima”.
O litígio em Londres envolve cerca de 380 mil vítimas, entre pessoas, associações e prefeituras. O custo total da indenização é estimado em £ 36 bilhões (R$ 246 bilhões). Aqueles que aceitaram o acordo com a Samarco no Brasil deverão deixar a ação na Inglaterra.


