Gigantes de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo Google, Apple, Meta, Amazon e Microsoft, demonstram interesse crescente em construir data centers na Austrália. A movimentação é motivada pela oferta de energia renovável e pela localização estratégica próxima à Ásia, segundo a operadora de data centers AirTrunk Operating.
Sabooh Whitelaw, vice-presidente associada de energia e serviços públicos da AirTrunk, com sede em Sydney, relatou que a procura aumentou nos últimos oito meses. A executiva afirmou que a estabilidade política e a disponibilidade de terras tornam o país atrativo, prevendo que a demanda resulte em investimentos firmes nos próximos anos.
A migração ocorre enquanto o setor de inteligência artificial nos EUA enfrenta escassez de energia em mercados consolidados. A pressão política americana cresce devido ao impacto dos centros de dados nas contas de luz das famílias e no meio ambiente, o que levou à suspensão de projetos entre Nova York e Seattle.
O Commonwealth Bank of Australia estima que a expansão desses empreendimentos possa atrair US$ 108 bilhões em investimentos até 2030. O governo de Canberra planeja implementar padrões nacionais que podem obrigar grandes data centers a financiar a própria geração de energia, auxiliando na substituição de usinas a carvão.
O Australian Energy Market Operator projeta que centros de dados voltados à IA representarão 13% do consumo total de eletricidade da Austrália em 2035-36, contra 3% na atualidade. O órgão informou que, no trimestre encerrado em junho, 84% dos nove gigawatts de capacidade proposta ainda estavam em fase de solicitação, sem comissionamento.
Apesar do otimismo, a resistência local começa a surgir. Ativistas solicitaram a suspensão da expansão em Nova Gales do Sul e, na Tasmânia, uma petição com mais de 10 mil assinaturas provocou a abertura de uma investigação parlamentar. Whitelaw alertou que atrasos em aprovações e conexões elétricas podem postergar os projetos.


