O governo de Luiz Inácio Lula da Silva espera se reunir com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entre esta quarta-feira (30) e quinta-feira (1º), durante a reunião do G20 de Comércio, para tratar do tarifaço imposto ao Brasil. A participação de Greer no encontro com a delegação brasileira, porém, ainda não está confirmada.
O G20 de Comércio é uma reunião específica dos ministros responsáveis pela área comercial dos países do grupo. O encontro deste ano ocorre em Milwaukee, nos Estados Unidos. A delegação brasileira terá o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Greer, que comanda o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), será o anfitrião.
A programação terá discussões sobre regras comerciais, trabalho forçado, segurança alimentar e excesso de capacidade produtiva. Também está na agenda a revisão do princípio da nação mais favorecida. Os Estados Unidos defendem mudanças na aplicação do princípio. A proposta quer maior espaço para considerar reciprocidade e condições específicas nas relações comerciais. A regra da OMC estabelece que uma vantagem comercial concedida a um país deve ser estendida aos demais membros, para evitar discriminação entre parceiros.
Para o Brasil, a mudança permitiria maior diferenciação entre os países, mas reduziria a previsibilidade das regras comerciais. Também poderia deixar o país sujeito a condições menos favoráveis nas negociações com os norte-americanos.
Uma eventual conversa com Greer deve tratar do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil e da relação comercial entre os dois países. A ideia do Palácio do Planalto é avançar na lista de exceções antes de discutir a reversão total da sobretaxa combinada de 37,5%. O governo brasileiro considera que a negociação entrou em uma nova etapa depois da entrada em vigor das tarifas.
As tratativas foram retomadas em 31 de agosto, quando Elias Rosa e Greer conversaram por videoconferência. Na ocasião, o governo brasileiro avaliou o encontro como exploratório. Os dois lados apresentaram suas posições e levaram os resultados aos respectivos presidentes. Em 16 de julho, a tarifa de 25% foi justificada com a alegação de que práticas comerciais brasileiras prejudicam o comércio norte-americano. Em 24 de julho, os EUA aplicaram outra sobretaxa, de 12,5%, alegando que o Brasil falhou no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo. O governo Lula contesta todas as alegações.
A avaliação brasileira é que não deve haver um acordo imediato e que os Estados Unidos preferem tocar o assunto depois das eleições. Para a reunião geral do G20, em Miami, o governo brasileiro avalia que os norte-americanos podem tentar incluir na declaração do grupo uma formulação que dê legitimidade ao tarifaço como parte de uma nova política comercial. Segundo a apuração, a maior parte dos cerca de 20 grupos de trabalho do bloco não foi acionada pelos norte-americanos, o que pode dificultar a construção de consensos antes das próximas reuniões.


