O Brasil é o terceiro país com menos professores satisfeitos com suas condições de trabalho e o quarto com mais educadores que deixam a docência, segundo relatório da OCDE divulgado nesta terça-feira (29). O levantamento aponta que apenas 44,3% dos profissionais brasileiros concordam estar satisfeitos com o emprego, excluindo o salário.
O percentual coloca o país atrás apenas de Japão (37,3%) e Portugal (39,1%), entre 38 nações com dados sobre o indicador. A média dos países da OCDE é de 68,4%. Quando o recorte é a remuneração, a satisfação cai para 22,3%, o quinto pior resultado, ante média de 38,7%.
O relatório também mostra que 10,3% dos professores do ensino fundamental e médio deixaram a profissão entre 2024 e 2025, incluindo aposentadorias. É o quarto maior percentual entre 24 países, atrás de Dinamarca (14,5%), Letônia (12%) e Comunidade Francesa da Bélgica (11,6%). Outros 12,3% dos docentes de 30 a 49 anos disseram pretender sair nos próximos cinco anos.
A indisciplina em sala aparece como um dos fatores ligados ao desgaste. Em 2024, 89,4% dos professores brasileiros relataram ter de acalmar alunos indisciplinados com frequência ou sempre, acima da média de 72% da OCDE. O relatório afirma que os desafios comportamentais se intensificaram em muitos sistemas educacionais.
Somente 63% dos docentes no Brasil têm emprego permanente, o segundo menor percentual entre 37 nações, atrás da Costa Rica (55,8%). A média da OCDE é de 80,7%. A proporção de educadores que relatam muito estresse no trabalho subiu de 13,6% para 20,9% entre 2018 e 2024.
O investimento por estudante no Brasil foi de US$ 4,1 mil em 2023, menos de um terço dos US$ 13,6 mil da média da OCDE. Apenas 22% dos adultos de 25 a 64 anos têm ensino superior, ante 43% da média, e 1% tem mestrado, enquanto a média é de 15%.


