O Brasil é o líder mundial em adoção de criptomoedas, segundo o Geography of Cryptocurrency Report 2026, da plataforma de dados Chainalysis, divulgado no dia 23. Entre julho de 2025 e junho de 2026, a economia cripto brasileira movimentou US$ 252,5 bilhões, superando Estados Unidos e Nigéria.
O estudo considera quatro fatores: fluxos totais de serviços, economia peer-to-peer, fluxos transfronteiriços e saldos. O Brasil ficou entre os quatro países com maior nota em todos eles — segundo em fluxos transfronteiriços, terceiro em fluxos totais e em peer-to-peer, quarto em saldos.
Na América Latina, o peso do mercado brasileiro cresceu. Em 2022, o país respondia por 31,6% do valor movimentado na região; agora, responde por 43,7%, quase metade do total. A liderança veio mesmo com retração de 1,6% na economia cripto local em relação ao ano anterior. Na comparação entre os períodos de 2024 e 2026, o crescimento foi de 179,4%.
O setor está mais concentrado em plataformas domésticas. A participação de exchanges sediadas no Brasil nos fluxos destinados a corretoras saltou de 1,5% para 12,5%. O movimento é oposto ao do restante da América Latina, onde plataformas locais perderam espaço para concorrentes internacionais.
A Chainalysis atribui a mudança ao avanço regulatório. Resoluções do Banco Central (BC) criaram exigências para os Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs), incluindo governança, gestão de risco e capital mínimo. As empresas têm até 30 de outubro para se adequar e pedir autorização.
As regras apertam o cerco a empresas menores. “Muitos provedores de pagamentos estão enfrentando dificuldades por causa disso”, afirmou Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin. “Nos próximos 12 meses, veremos muito menos players nativos de cripto no Brasil.” Para Julia Rosin, presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto), as exigências podem aumentar a confiança dos consumidores. “Quando chegam as regras, a confiança vem junto”, disse.
As stablecoins também avançaram. A economia brasileira desse tipo de ativo cresceu 495%, contra 89,4% no restante da América Latina. O número de carteiras com pelo menos US$ 10 mil em stablecoins aumentou 347% desde julho de 2024, acima do México (91%), Argentina (82%) e Chile (47%).
Globalmente, a economia cripto movimentou US$ 9,4 trilhões no período, queda de 1,6%. Transferências de até US$ 100 cresceram 78,4%, e as de US$ 100 a US$ 1.000, 58,6%. A América Latina foi a sexta maior economia cripto, com US$ 593,8 bilhões, alta de 9,8%.

