Líderes do Brics divulgaram, nesta quarta-feira (16), a declaração final da 18ª Cúpula do grupo em Nova Délhi, na Índia. O documento estabelece consensos sobre governança global, comércio e segurança internacional, reforçando a defesa do multilateralismo e a necessidade de instituições internacionais mais representativas para os países em desenvolvimento.
O bloco é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Juntos, os 11 países detêm 48,5% da população do planeta, 39% da economia mundial e 23% do comércio global. O texto orienta a atuação conjunta em fóruns como a Organização das Nações Unidas (ONU), o G20 e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
No âmbito financeiro, os líderes ressaltaram o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do Brics, como ferramenta para financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável. A declaração incentiva a instituição a expandir operações em moedas locais e a analisar novos pedidos de adesão de países interessados. Foi lançado também um portal de conhecimento para compartilhar experiências de projetos financiados pelo banco.
O documento defende a modernização dos sistemas de pagamento internacionais, focando em interoperabilidade de plataformas e liquidações comerciais em moedas locais. Na área comercial, o grupo criticou medidas protecionistas e tarifárias incompatíveis com as normas da OMC. Estão previstas a digitalização de documentos comerciais e a criação da Brics Grain Exchange, plataforma para a comercialização de grãos.
Para o governo brasileiro, o ponto central é a defesa de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU. O texto registra que China e Rússia apoiam as aspirações de Brasil e Índia por um papel mais relevante na organização. A declaração afirma que a reforma visa tornar o conselho mais democrático, eficaz e representativo da realidade atual.
O grupo também reafirmou o compromisso com a Agenda 2030 da ONU e a prioridade de erradicar a pobreza. O texto manifesta a necessidade de intensificar a luta contra o racismo, a xenofobia e a discriminação religiosa, além de pedir maior presença de mulheres em cargos de liderança em organismos internacionais.

