O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, sedia neste fim de semana, em Nova Délhi, a cúpula do BRICS com a presença de líderes da China, Rússia e Irã. O encontro ocorre em um cenário de intensificação de conflitos no Oriente Médio e disparada nos preços globais de energia, buscando posicionar o grupo como contrapeso ao Ocidente.
A reunião conta com a participação de membros fundadores — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e novos integrantes, como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, instou os membros a desenvolverem ferramentas financeiras alternativas para reduzir a dependência e a pressão do governo dos Estados Unidos.
Em contrapartida, Narendra Modi utilizou encontro bilateral com Pezeshkian para cobrar a manutenção da liberdade de navegação e comércio. A fala é uma referência aos bloqueios no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, que impactam as importações de combustível indianas. Modi busca projetar a Índia como uma potência de não alinhamento estratégico.
A China, representada por Xi Jinping, mantém a expectativa de estabilizar as relações com a Índia, com a primeira visita do líder chinês ao país em sete anos. Existe incerteza se Xi realizará reunião bilateral com o presidente iraniano, dado que Pequim mantém laços econômicos com estados do Golfo Pérsico, alvos de ataques de Teerã.
O bloco enfrenta dificuldades internas de coesão. Divergências entre Irã e Emirados Árabes Unidos impediram a redação de uma declaração conjunta em maio. O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, chegou à capital indiana na sexta-feira para participar do evento.
A África do Sul, liderada por Cyril Ramaphosa, também enfrenta tensões diplomáticas. O governo sul-africano foi criticado por Washington em janeiro após permitir a participação do Irã em exercícios navais. Analistas indicam que Pretória deve focar a agenda em questões de comércio e desenvolvimento, diante da falta de consenso sobre guerras no Irã e na Faixa de Gaza.


